Pensando em voz alta

Faz tempo que não devaneio um pouco. Tenho sido consumida pela constante necessidade de viver e não deixar o tempo passar por cima de mim. Não que isso seja ruim. De jeito nenhum. Mas sinto saudades de devanear um pouco. Dar voltas na minha cabeça através de palavras tentando encontrar um motivo para as coisas ou um próprio motivo para devanear.

Ouvi dizer que sou preocupada demais com meu futuro. Ouvi dizer que devo me preocupar menos com o amanhã e aproveitar o agora. Bem, concordo plenamente. Não devo me preocupar tanto com o futuro, apenas cuidar dele. Mas não posso deixar de lado meu desejo sagaz que me move: a eterna corrida atrás dos meus sonhos.

Vejo várias pessoas que vivem sem buscar um sonho. Não estou dizendo que elas são infelizes ou vazias. Pelo contrário. Provavelmente são mais satisfeitas do que eu. Não que eu seja insatisfeita ou ingrata. De jeito nenhum. Aprendi a ser feliz com o que tenho e mesmo entrando em crises de vez em quando, estou aos poucos encontrando um equilíbrio na minha própria realidade e isso me faz bem. Mas quando falo dessas pessoas satisfeitas, quero dizer que elas apenas vivem sem buscar nada. Eu realmente não sei o que é isso. Não sei como é viver assim e não sei se isso faz bem ou não. Sei que não conseguiria viver dessa maneira. A busca me faz ter paixão, alegria e um desejo sagaz por aquilo que quero.

Antigamente eu achava que toda vez que eu alcançasse algo que desejasse eu morreria de tédio. Esse pensamento me perdurou por tempos. Passei tempos pensando em tudo que eu queria, até as coisas que pareciam mais distantes de mim e que aos poucos parecem estar tornando-se mais reais. Eu pensava e pensava: o que eu vou fazer quando alcançar os meus sonhos? Será que morrerei de tédio por não ter nenhum objetivo? Depois de muitas doses de neuroses, cheguei à conclusão que a busca faz parte de quem eu sou e que eu consigo sim aproveitar minhas conquistas e ser feliz com o que já alcancei. Atualmente vivo um desses momentos. Aproveitando parte das minhas conquistas e é claro, em busca de novas. Então aí se vai uma preocupação a menos na minha vida. Sim, admito que sou uma pessoa preocupada por vida. Me preocupo aonde vai aquele romance, aonde vai me levar àquela faculdade, o que vou aprender naquele emprego ou quais possíveis empregos quero ter. É chato estar o tempo todo em um estado de preocupação constante, pois isso causa estresse e não é legal. Mas com o tempo vou aprender que não devo me preocupar tanto assim e que devo sim, aproveitar o presente. O futuro que venha e se faça presente quando for necessário. Porque afinal de contas, o que mais eu posso fazer? Preocupar-me com as coisas não as fará acontecer, mas fará com que eu fique em constante estado de pensamento acelerado e conturbado.

Considero-me uma pessoa leve na maioria das vezes. Quando digo que sou uma pessoa leve quero dizer que aos poucos aprendi e vou aprendendo a deixar pequenas coisas de lado, a me desapegar de coisas mundanas que não importam tanto para a existência humana se você passar a avaliá-la. Mas aprendi também a me importar com aquilo que é necessário para a minha existência humana.

Já falei como as frustrações das pessoas ao meu redor me deixam frustrada? Sim, é estranho, mas verdade. E morro de medo de me tornar uma pessoa frustrada. Mas acho que isso já me faz frustrada. Que ironia. Talvez esse seja um ponto que eu tenha que me deixar levar também. Ponto dois: além da preocupação, deixar de lado as frustrações. E com isso viver o que a vida me mostrar de vida e o que eu conseguir extrair dela.

Fico com esse desejo de ir embora constantemente e ontem percebi que isso é parte de mim. Não que eu não goste de ficar. Mas eu também gosto de ir. Acredito que ir, a qualquer lugar que seja, me traz uma liberdade espiritual que nada mais me traz. E pensando nisso vou percebendo aos poucos as coisas que quero da vida.

Pra ser sincera não sei como me transformei em quem eu sou. Teve um momento da minha vida que eu na estava feliz com quem eu era, mas agora percebo que ao aprender com meus erros, eu estou ficando cada vez mais feliz com o que estou me tornando.

E voltei a devanear. Ainda bem que voltei a devanear.

Xx,

Amanda Lobo

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