Tempos chuvosos me deixam melancólica.

Não sei o que há com esses tempos chuvosos. Eles me deixam melancólica, nostálgica, com uma vontade louca de simplesmente ir. Ir para onde? Para longe dos meus problemas, longe dos meus anseios, longe das minhas desilusões. Talvez não seja saudável mergulhar nesse mar de sentimentos confusos, mas parece meio que inevitável. Algo que sempre me atrai, cedo ou tarde. Então sou puxada, passo um curto período imersa na minha própria melancolia, depois volto ao normal. É como um ciclo. Acho que se tornou mais fácil depois que eu aceitei que sou assim, depois que eu aceitei que esses momentos fazem parte de quem eu sou. Fico feliz que esses períodos são curtos, já não duram mais tanto tempo. Isso é bom. Isso me faz bem. O único problema é lidar com minha vulnerabilidade durante essa época. Me pergunto: quem gosta de ser vulnerável? Não consigo achar coisa mais chata. Sei que às vezes é necessário se permitir ser vulnerável, mas no meu caso, quando estou assim, tudo simplesmente fica uma merda. Sensibilidade fica a mil. E eu acabo entrando em um sofrimento só meu, sofrendo sozinha e me tirando desse sofrimento sem ao menos ninguém notar. É o costume de muitas vezes preferir passar por turbulências sozinha. Às vezes é mais difícil, porém outras é muito necessário. E com o tempo você se acostuma. Nem sempre as pessoas tem paciência para aturar esse tipo de coisa. Eu mesma não tenho paciência, imagine os outros. Enquanto isso, eu espero. Ou aprendo a esperar. O pior de tudo não é nem a espera por essa melancolia passar, mas sim os pensamentos que vem com ela. Meu Deus, juro que às vezes queria parar de pensar por um momento. Ser que nem essas pessoas que passam tempos sem se preocuparem com nada, apenas vivendo, sem refletir sobre nada da vida. Porque só Deus sabe como é cansativo pensar. É o ato que mais deixa exausta. E pior ainda quando eu me perco em certos pensamentos que levam dias para me deixarem em paz. Minha mente ao mesmo tempo em que é minha liberdade se torna também minha própria prisão. Uma prisão que eu mesma crio e eu mesma me liberto. Arg, como essas crises existenciais me matam! O lado bom de tudo isso é que a tendência é eu aprender a lidar cada vez melhor com tudo isso. O que é algo bom. De certa forma sim, é algo bom. Porque isso me dá a esperança de que talvez um dia eu passe longos períodos sem entrar em briga com minha mente. Sem adentrar nessa prisão insuportável que é pensar, pensar, pensar em coisas que são melhores deixarem de lado. Outro ponto positivo é que posso escrever. Acho que essa é minha verdadeira forma de liberdade. A escrita. Algo que ninguém pode tirar de mim. Algo que ninguém pode danificar. Ela mesma se reinventa em diferentes maneiras. De maneira cada vez mais renovada. E me ajuda. E me salva. Porque se eu não tivesse a capacidade de colocar o que sinto pra fora através de palavras eu iria sufocar. Aos poucos. Ou de uma vez só. De uma maneira ou outra eu iria sufocar. Agora só peço pra essa chuva passar. Para que o sol traga consigo dias insuportavelmente quentes, porém mais leves. Porque ao invés da chuva lavar minha alma, ela traz consigo pensamentos turbulentos. Então que venha o sol. E que ele traga consigo um calor capaz de aquecer meu coração.

Xx,

Amanda Lobo.

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