Ciclo do preconceito: Já passou da hora de quebrar!

preconceito

Vamos falar de um tema “polêmico”? Não o considero polêmico, mas sim, necessário. Tenho observado tanto o comportamento das pessoas e fico abismada em como a sociedade é preconceituosa. Não é um tipo de preconceito específico não! É um preconceito geral! É tanta preocupação em evoluir em termos tecnológicos que estamos esquecendo de evoluir em termos humanos. Pra mim, a situação é tão grave que já se tornou algo que as pessoas nem percebem mais.

Hoje em dia, o pessoal tem preconceito contra tudo. Contra tudo mesmo! Não vou ser hipócrita porque também tenho preconceitos, todos tem. A partir do momento que você julga um pessoa sem conhecer, você já está criando um pré-conceito dela.

Não me venha com esse papo de que brasileiro não tem preconceito racial. Tem sim e muito. É só olhar ao redor. É disfarçado, mas está lá. O Brasil é o país mais negro depois dos da África, e aparentemente, um dos mais preconceituosos também. Primeiro, mulher negra no Brasil só tem reconhecimento no carnaval, sendo globeleza, mostrando a bunda. O título de mulher “gostosa”. E o título de mulher inteligente? Porque isso nós somos, e muito. Não acho legal o fato de vender a imagem da mulher negra no carnaval para estrangeiros. Não mesmo. Alguns dizem que a globeleza é uma forma de homenagear a beleza negra. Eu discordo. Desculpe, mas eu discordo. Pra mim passa a sensação de redução da nossa imagem àquilo.

Agora voltando para o dia a dia, vemos o racismo espalhado por todos os lados. Em alguns ambientes empresariais onde as recepcionistas, funcionários que vão ter contato com clientes, são todos brancos. Ou em alguma festa social, restaurantes sofisticados, lojas de grifes, todos brancos. E o negro? Não existe. Parece que somos jogados a margem da sociedade, porque se você é branco, de cabelo “liso”, suas chances de vencer na vida são maiores, porque você faz parte do “padrão social”, porém, se você é negro, do cabelo “duro”, vamos usar os termos populares, você vai ter que ralar muito mais. Não estou aqui vitimando o negro, ou dizendo que os brancos não tem capacidade, não mesmo! Não vamos confundir as coisas! Caráter e capacidade não se define pela cor da pele. Apenas mostrando fatos que estão por aí e muitas vezes temos vergonha de falar. Mas não é só preconceito contra negros que existe. As pessoas também possuem preconceito contra brancos, indígenas, pessoas com deficiência, pobres, homossexuais, baianos, brasileiros, enfim, a lista é enorme.

O que mais me surpreende é quando quem sofre preconceito aplica esse preconceito. Como se fosse uma bola passando adiante. Por exemplo, quando brasileiros do Sul tem preconceito contra nós, do Nordeste. Mas esses mesmos sulistas, são discriminados quando vão pro exterior por serem brasileiros. Mas isso não muda nada, porque quando eles voltam pro Brasil, continuam preconceituosos do mesmo jeito. Não estou generalizando, mas que isso acontece, acontece e muito. Mas os nordestinos também não ficam atrás. Sofrem preconceito por serem de onde são, mas chegam aqui, na Bahia, especificadamente, e tem preconceito contra os próprios baianos que são negros ou homossexuais ou tem preconceito contra sua própria cultura. Viu como é um ciclo vicioso? Ninguém está imune a isso. Estamos todos no mesmo barco, e isso é triste.

Falando de baiano, somos conhecidos pelo axé, pagode e samba. Mas e o rock? Quem disse que baiano não pode gostar de rock? Só o pessoal do Sul e Sudeste que pode curtir esse estilo? Porque em Salvador, quem gosta de uma música diferente como um pop, rock, alternativo, também é discriminado. Quantas vezes já não ouvi alguém me dizer que eu gostava de música estranha porque era diferente? Desde quando na certidão de nascimento diz que baiano tem que gostar de axé? (risos) Eu gosto de axé, acho o pagode um som divertido (só não gosto dos que possuem uma letra que rebaixa a imagem da mulher) e sambar é maravilhoso, não abro mão! Mas também escuto rock. Seja ele brasileiro, americano, britânico ou alemão! (conheci uma banda de rock alemã muito legal, o que me ajudou a quebrar um pouco meu preconceito contra a língua) Sou baiana, danço samba, as vezes um pagode, me alegro com nosso axé, mas tenho todo o direito do mundo de gostar de pop, rock e seja lá mais qual estilo eu me interesse! Não quero rótulos em mim e nem em ninguém, por favor!

Ah, tem também o preconceito contra cabelo “duro” ou crespo. Me diga uma coisa, como você pode definir uma pessoa pelo tipo de cabelo dela? Porque gente branca, que tem o cabelo “liso”, é considerada mais bonita que eu que sou negra e tenho o cabelo “duro”? Porque as cacheadas são discriminadas porque não alisam os cabelos para “contê-los”? É todo tipo de termo que se usam hoje em dia. Já alisei meu cabelo sim, usei ele com tranças, sem pentear, penteado, cacheado, de todos os estilos que achei. E ainda quero mais! Porque o cabelo é meu e tenho liberdade de fazer com ele o que eu quiser! Assim como todo mundo! Quem é branca também tem a liberdade de andar com o cabelo cacheado e fazer um black. Só porque é branca tem que ter o cabelo alisado? Claro que não! Cada um tem o cabelo que se identifica e se sente bem. O meu é duro, crespo, chamem do que for e não troco ele por nenhuma chapinha. As vezes aliso ele, gosto de inovar, mas isso não quer dizer que eu seja obrigada a usar um estilo só! Negras tem o direito de usar o cabelo liso, se é assim que se sentem confortáveis e brancas também. Todas as mulheres. Porque, meu bem, cor de pele pra mim não é nada. Apenas uma produção a mais ou a menos de melanina. O que importa é o caráter. Isso sim vem de dentro, é raro e é o importante.

Fico indignada com quem tem preconceito sexual. Heteros, gays, lésbicas, isso são apenas rótulos. Opção sexual não define ninguém. Cada um tem a liberdade de gostar do que quer e não ter a preocupação de ser apedrejado na rua por estar beijando quem gosta, seja de qual sexo for. Uma vez eu estava no ônibus e quando a condução parou em um ponto, tinha um casal de gays trocando carinhos. Uma mulher ao meu lado virou para outra e disse: “Olha pra isso, o que vou dizer a minha filha quando ela ver isso na rua e me perguntar o que é? Eles podem se beijar, mas que não seja assim em público né.” A outra concordou. E eu fiquei calada Não tive a coragem de abrir a boca pra dizer nada. Fiquei abismada. Tive vontade de dizer “Você vai dizer a sua filha que o mundo mudou, as pessoas estão se descobrindo e tem o direito de gostar de quem quer que seja, independente da opção sexual”, mas sou dessas que prefere ficar calada em certas situações do que discutir com gente preconceituosa que tem uma visão fechada e um pensamento pequeno. É como tentar quebrar uma parede com a mão: não adianta nada, e você quem sai estressado por não conseguir tal proeza, a não ser que você seja o huck 😉 Não vou fazer ligação da visão do ser homossexual com as escrituras da Bíblia. Porque isso é um caso aparte. Religião é um caso aparte. Cada um com a sua e não devemos discutir.

E por fim vamos falar dos pobres, que sofrem preconceito contra os ricos, mas também tem preconceito para com esses ricos. Olha o paradoxo aí, meu irmão! Acho que no caso de pobre que não gostar de rico é mais uma revolta mesmo. Ou as vezes, não. É relativo. Mas o que eu mais vejo por aí é quem tem dinheiro discriminar quem não tem. Como se não bastasse todos os problemas que a vida já tem por si só, as pessoas discriminam outras porque tem umas notas de papeis a mais. Não vou ser hipócrita pra falar mal do dinheiro, porque trás conforto e viagens ❤ porém, na vida não é só isso que importa. E eu fico puta quando alguém trata ou outro mal só porque tem mais dinheiro. Ter dinheiro não te faz melhor que ninguém. Não ter também não. É necessário um equilíbrio entre as situações. Porque pior do que quem já nasce rico e esnoba o pobre é quem nasceu pobre, se torna rico e esnoba outro pobre. Olha aí o ciclo do preconceito girando novamente! Esse ciclo precisa ser quebrado, minha gente!

Porque é que a sociedade se adapta tão facilmente a novas tecnologias e não consegue se adaptar a um pensamento mais liberal? Qual o problema com a gente? Quebrar preconceitos não é fácil quando se vive em uma sociedade que respira isso, porém, temos que tentar a cada dia lutar contra isso do nosso jeito. Seja indo às ruas em um protesto, escrevendo, cantando, dançando, conversando com amigos, seja lá de qual jeito que for. Contanto que a gente lute contra isso. Porque preconceito tira a liberdade das pessoas de serem quem verdadeiramente são. E todo mundo merece o direito de ser quem verdadeiramente é sem que ninguém julgue isso. Eu acho que quem julga demais é quem não tem a coragem de ser quem é, porque tem medo que as pessoas o julguem também. É uma pena, porque nada faz uma pessoa mais feliz do que viver sua própria verdade! 🙂

Xx,

Amanda Lobo.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s