Como eu conheci a Lena Dunham

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Tem duas semanas que fui no sebo trocar uns livros já lidos por outros. Adquiri esse hábito faz um tempo. Sempre que leio alguns livros e quero me desfazer deles, levo ao sebo para trocar por outros. Dessa vez eu fui com o objetivo de trazer para casa algum clássico, um desses que a gente acha que tem que ler antes de morrer. Mas, o que trouxe foi um livro biográfico de Lena Dunham chamado “Não sou uma dessas: uma garota conta tudo o que aprendeu”. Bem, eu sempre gostei de biografias, mas confesso que assisto mais filmes biográficos do que leio. Ao ver esse livro da Lena fiquei curiosa. Eu já tinha ouvido falar dela por conta série “Girls”. Uma vez tentei assistir a série, mas não tive interesse, apesar do roteiro ter tudo para me agradar. Porém, fiquei curiosa quanto ao livro da Lena e sobre o que ela tinha para contar. Admito que no início tive um pouco de preconceito e cheguei a pensar “nossa, essa garota é dramática demais”. Porém, após ter lido poucas páginas, o livro me cativou.

A forma como ela conta sua história, passando por momentos de criança, adolescente, vida adulta, sem necessariamente seguir uma ordem cronológica, é fantástica. Lena fala sobre sexo, corpo, neuroses, desejos, cultura, família, paixões, enfim, ela fala sobre como é ser mulher e traz o pacote completo dessa experiência de vida. Eu me apaixonei pela escrita da Lena e pelo modo como ela retrata suas vivências, com humor, leveza e sinceridade. É como se ela explanasse tudo o que sentiu, tudo o que viu, tudo o que presenciou sem medo de ser julgada ou exposta. É uma das escritas mais honestas que já vi.

Ao ler esse livro fiquei a pensar sobre minha vida, sobre o que eu quero fazer daqui pra frente nessa minha nova fase de transição, de término de faculdade. Acho incrível como artistas, principalmente escritoras, como a Lena, conseguem expor o seu trabalho e colocar sua alma em um papel. É como se ela transformasse sua vida em arte e isso é espetacular. Gostaria de ter a capacidade de fazer isso. Mas não sei, acho que tenho receio de abrir minhas feridas e transformá-las em algo. É claro que eu escrevo para mim mesma e aqui no blog, até mesmo como forma de manter minha sanidade e esvaziar minha cabeça que contém um turbilhão de pensamentos. Mas ainda não consigo transformar minhas palavras em arte e isso me entristece um pouco. Acho que me falta coragem.

O contato de Lena Dunham com o mundo das artes e sua imersão nele aconteceram desde quando ela era criança. Meu contato com a arte é escasso, tenho poucas pessoas ao meu redor com quem posso compartilhar esse tipo de coisa. Talvez eu precise circular por novos ambientes, não sei. Mas de qualquer forma, voltando para o livro, sai inspirada após o término da leitura, imaginando quando será que a Lena vai lançar outro livro contando suas novas experiências de vida e com uma enorme vontade de começar a assistir Girls para ter mais contato com o trabalho dela.

Foi gratificante acompanhar a jornada de vida da Lena e ver o quanto ela cresceu e aprendeu. A frase que mais me impactou no livro foi uma das finais, em que ela diz: “não se coloque em situações das quais gostaria de fugir”. Vou levar isso pra vida.

Obrigada Lena Dunham por me proporcionar a maravilhosa experiência de ler o seu livro. Foi uma das melhores coisas que me aconteceu este ano.

Xx,

Amanda Lobo.

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Cada um sabe a dor que tem

Baseado no senso comum, nós sabemos que todas as pessoas tem problemas e passam por momentos difíceis na vida. Porém, existem pessoas que aparentam simplesmente não terem problemas. Não sei se isso é bom ou ruim. Mas o que sei, o que tenho aprendido, é que cada um sabe a dor que tem. Cada ser humano sabe a dor que carrega no coração, seja por problemas familiares, amorosos, financeiros, profissionais, psicológicos, de saúde, independente do departamento.

Muitos escritores e muitos filmes falam que o sofrimento nos acorda para a realidade da vida. Mas será que precisamos sofrer para perceber essa realidade? Ou as coisas são como diz uma música de Criolo “não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você”?Cá estou eu novamente, com mil questionamentos e poucas respostas.

O pouco que sei é baseado no que vivi e nas coisas que vi ao meu redor. Dizem que muitos sofrimentos podem ser evitados, mas que as pessoas na verdade gostam de viver determinadas situações, mesmo que as faça sofrer. Não falo de situações incontroláveis como uma doença terminal ou coisas das quais não temos o controle. Afinal, a vida está aí e a milhares de coisas que acontecem estão além de nós. Quando falo sobre isso me refiro a situações que podemos evitar ou que podemos pôr um fim, mas escolhemos seguir com elas. Quem nunca agiu assim que atire a primeira pedra! Eu sei que eu já, muitas vezes. Leva tempo pra começarmos a perceber que nem tudo precisa se resumir ao sofrimento. Muitas vezes podemos lutar contra aquilo que nos causa dor, mas para isso precisamos da consciência do problema e é aí que o bicho pega.

Não vou negar que penso muitas vezes (o tempo todo) que a vida poderia ser mais fácil, que eu deveria ser mais forte, que eu poderia ser mais fria e que talvez assim eu pudesse evitar de ser sentimental em relação às coisas. Mas, felizmente ou infelizmente, não sei, sou ser humana, bastante falha e incrivelmente sentimental quando se trata da minha vida pessoal. Em relação ao profissional eu sou mais racional. No meu âmbito pessoal eu sou movida a sentimentos. Vai saber se isso é bom ou ruim. Eu sei que constantemente quando estou passando por algo que me deixa triste e me faz questionar sobre mim mesma, me pego pedindo a Deus que a vida seja mais leve. Depois me deparo com pessoas que vivem problemas maiores e mais intensos e me pergunto se não estou sendo ingrata com minha própria vida. Mas é como eu disse, cada um sabe a dor que tem.

No final, somos todos humanos, imperfeitos, em busca de felicidade. Pelo menos, na teoria rs. Eu sei que tudo que quero na vida atualmente (além de terminar a faculdade e arranjar um trabalho que me realize, nem que seja um pouquinho) é encontrar um equilíbrio em meio ao caos que a vida muitas vezes se mostra. Eu sei que a vida não é fácil, parece que não foi feita para ser. Mas as vezes tudo que a gente precisa é saber que por mais que as coisas estejam ruins, elas podem melhorar. Talvez tudo que a gente necessite seja manter a paciência mediante a momentos de tristeza. Talvez tudo que a gente precise seja acreditar que coisas melhores estão por vir.

Xx,

Amanda Lobo.

Como deixar o passado no passado?

As vezes ainda me pergunto como deixar o passado totalmente no passado. Eu não sei como funciona para o restante das pessoas, mas eu ainda tenho dificuldade de me desapegar totalmente do passado que não me faz bem e que preciso esquecer. Parte de mim acredita que conseguirei desapegar a partir de exercícios diários, parte de mim acha que talvez nunca vai ser possível e outra parte acredita que eu estou inconscientemente me apegando demais as coisas por medo de ser feliz. Mas qual será a parte de mim que está correta? ou será que cada uma tem um pouco de verdade?

Engraçado como eu já consegui superar tanta coisa durante meu pouco tempo de vida. Tanta coisa já vivi e tanta coisa consegui deixar pra trás. Mas, outras coisas ainda me perseguem e preciso encontrar formas de totalmente deixá-las para trás. As vezes paro e me pergunto: será que sou masoquista e gosto de fazer mal a mim mesma pensando em coisas que me machucam? Será que meu medo de seguir em frente é tão grande que eu estou me sabotando? Será que parte de mim gostaria de ficar presa a uma situação intensificada por mim mesma? São tantos questionamentos.

Talvez eu tenha dificuldade de aceitar o presente e vivê-lo. E talvez eu precise aprender a enfrentar de frente o que é a minha vida agora e as consequências de todas as minhas escolhas que me levaram até aqui. Talvez seja isso. Talvez tudo que me falta é aceitação.

Xx,

Amanda Lobo

Retorno

Quando passamos um tempo perdidos e sucumbidos por externalidades que nos fazem esquecer de quem somos, é preciso começar a trilhar o caminho de retorno a si mesmo. Seja através de pequenos passos, simples detalhes ou através de grandes gestos. De uma forma ou de outra, é preciso encontrar o caminho de volta. Muitas vezes demoramos a fazer isso, mas quando pegamos o embalo da coisa, retornamos com mais força para se reconstruir e se renovar. É o que estou tentando fazer. É o que estou caminho para alcançar. O retorno ao meu verdadeiro eu, um reencontro comigo mesma. Como estou fazendo isso? Bem, no momento através de algo simples como vou a escrever neste blog. Isso faz com o que me me sinta eu mesma diante de tantas adversidades externas. Diante disso, o próximo passo é reeducar minha mente para me importar menos com coisas desnecessárias. Isso é algo que exige muito esforço de mim, mas que tenho certeza que conseguirei fazer.

Na vida sempre nos questionamos quando é o momento de desistir de algo, quando é o momento de deixar pra lá algo que já não satisfaz mais. Como saber quando é o momento certo? Existem pessoas que simplesmente sabem. Infelizmente, eu não sou uma delas. Em relação a tempo correto, sou péssima para perceber. É uma técnica que ainda não domino, mas que talvez com o tempo eu consiga trabalhar isso em mim. Aí eu me questiono: como interpretar os sinais de forma correta? Quando saber se é a hora certa para desistir de algo ou se estamos apenas confusos com as diversas situações e dificuldades do momento? Talvez não tenha como saber isso, não sei a resposta. Mas tentarei descobrir.

Xx,

Amanda Lobo.

 

Apenas mais uma forma de desabafo

Faz meses que não escrevo neste blog. Se duvidar, nem sei mais como fazer. Mas como já esgotei vias de desabafos constantes, de maneiras certas e erradas, decidi que tentar uma que já me ajudou bastante não custava nada. Essa via de desabafo é escrever, externalizar, colocar as emoções para fora.

Tenho vivido meses de confusões mentais, inseguranças, falta de identificação com a minha própria realidade e indecisões sobre quem realmente sou, quem estou me tornando e o que de fato eu quero ser. Sempre costumo dizer que uma das poucas certezas que tenho na vida além da morte é a de que vou viver crises existenciais. Isso porque, querendo ou não, elas fazem parte de quem eu sou. Eu sou inquieta e questionadora. Consequentemente, sempre que vivo momentos de transição em minha vida, seja de qual tipo ela for, estarei me questionando sobre tudo e revirando tudo na minha cabeça milhões de vezes. Faz parte de quem eu sou. E aceitar isso torna as coisas mais suportáveis.

Eu acredito que tudo na vida acontece por um motivo. Tem gente que acha isso besteira, mas eu sou uma fiel adepta desse conceito. Óbvio que não acho que precisamos viver coisas negativas para aprender, embora muitas vezes seja assim, ou que temos que aceitar tudo simplesmente porque “era para acontecer”. Não é bem assim que funciona. Mas, existem acontecimentos que estão fora do nosso controle e que simplesmente precisamos encontrar a melhor forma de lidar com eles. Nem sempre conseguimos, mas precisamos tentar. Precisamos tentar encarar tudo aquilo que nos assombra na vida. Seja um acontecimento de infância ou algo recente. Precisamos encontrar formas de superar tudo aquilo que nos impede de seguir de alguma maneira. Nem sempre isso é fácil, na maioria das vezes nunca é fácil, mas é necessário.

Dizem que na vida tudo se trata de como encaramos os fatos que acontecem com a gente. Nem sempre podemos impedir algo de acontecer, mas temos o poder de decidir como vamos enfrentar cada coisa que nos acontece. Não é pouca coisa que vivemos ou presenciamos, mas independente do que seja, temos que escolher a forma que lidaremos com isso. Nos deixaremos abater? Nos deixaremos sucumbir? Ou encontraremos uma maneira de lidar? Acredito que isso vale pra tudo na vida. Nem sempre passamos por momentos bons internamente, mas se passamos a reconhecer nossas inconstâncias, podemos aprender a lidar com elas.

Quando olho para trás e analiso a minha vida, minhas escolhas e minhas atitudes, percebo quanta coisa eu vivi e quanta coisa eu superei. Desde sempre. Assim como milhares de pessoas passam por coisas e as superam. A cada novo ciclo que se fecha e abre portas para novas conquistas, me pego questionando minhas escolhas, o que eu quero, o que me trouxe até aqui e para onde eu quero ir. Durante muito tempo tive na minha mente exatamente os passos que gostaria de seguir e aonde desejava chegar. Agora, me encontro em meio a dúvidas e incertezas. No fundo, eu sei o que me faz e feliz. Com o tempo vou descobrindo que nem sempre o que eu realmente desejei é o que realmente é o melhor pra mim. E procuro maneiras de lidar com isso.

No momento, um ciclo se fecha para mim. Aonde isso vai me levar eu não faço ideia. Mas, mesmo com medo e inseguranças, estou disposta a descobrir. Afinal de contas, de que vale a vida se não for para ao menos tentar ser feliz?

Xx,

Amanda Lobo.

Um amor depois do outro

Estou lendo o livro “Um amor depois do outro” de Ivan Martins, onde ele fala das relações amorosas de forma bastante poética. Digo de forma poética porque ele trata do amor de maneira pacífica, até quando se trata das tumultuosas relações inacabadas que rondam as nossas vidas. Ivan traz casos de amores que não acabam, nos perseguem e dos quais possuímos uma enorme dificuldade de nos desapegarmos.

Recentemente, tenho vivido algumas situações desse tipo de amor. O amor do qual não conseguimos nos desfazer. Confesso que não sou a melhor pessoa para dar conselhos de como superar esse tipo de amor, de se livrar tão rapidamente de um sentimento que por muito tempo lhe fez bem. Acho que isso é porque nós, seres humanos, somos extremamente carentes e relutamos tanto em aceitar quando algo é necessário ir.

Se me perguntares a fórmula para lidar com esse tipo de amor, dentro da minha pequena experiência em amar, diria apenas duas coisas: o tempo e um amor depois do outro.

Xx,

Amanda Lobo.

O capitalismo será derrotado pela Terra

Leonardo Boff

Há um fato incontestável e desolador: o capitalismo como modo de produção e sua ideologia política, o neoliberalismo, se sedimentaram globalmente de forma tão consistente que parece tornar qualquer alternativa real inviável. De fato, ele ocupou todos os espaços e alinhou praticamente todos os países a seus interesses globais. Depois que a sociedade passou a ser de mercado e tudo virou oportunidade de ganho, até as coisas mais sagradas como órgãos humanos, água e a capacidade de polinização das flores, os chefes de Estados, em sua grande parte, são forçados a gerir a macroeconomia globalmente integrada e menos atender ao bem comum de seu povo.

O socialismo democrático em sua versão avançada de eco-socialismo representa uma opção teórica importante, mas com pouca base social mundial de implementação. A tese de Rosa Luxemburgo em seu livro Reforma ou Revolução de que “a teoria do colapso capitalista é o cerne do…

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