Inconstância de uma vida quase adulta

Na vida sempre tem aqueles momentos em que você passa a se perguntar se tudo o que você está fazendo para alcançar certas coisas de fato valem a pena. Se todo esse esforço tem real importância. Eu estou vivendo esse momento, mas acredito que ainda vá viver momentos como esses outras milhares de vezes.

Ando me perguntando se todo o esforço, desgaste e tempo que gasto com a faculdade e suas atividades extracurriculares vale a pena. Talvez no fundo eu saiba que vale a pena, que eu estou construindo um futuro pra mim, que lá dentro eu sei que isso tem grande importância na minha vida. Mas, não posso deixar de comentar: graduação é uma merda. Uma merda porque você passa dias na sala de aula, presa com pessoas que nem sempre fazem sua parte e fazendo trabalhos que em sua maioria são irrelevantes. Não quero parecer o tipo de pessoa que acha que tem conhecimento suficiente e que as coisas que precisa aprender não importam. Não é isso. Mas o sistema educacional brasileiro realmente te coloca presa a trabalhos irrelevantes, coisas que você precisa fazer para cumprir tabela. Não necessariamente aprender, mas apenas fazer. Eu sei que vai passar rápido esse período e que futuramente eu posso agradecer por isso. Mas, honestamente, tudo isso é uma bosta. Eu gosto da profissão que escolhi pra minha vida, cada dia gosto dela mais e mais. Só que parte de mim está cansada desse sistema, dessas pessoas e de fazer parte de tudo isso. Talvez eu só precise descansar, talvez eu só precise relaxar, talvez eu não tenha que levar isso pro lado tão pessoal assim. Afinal, se os outros não se importam então porque eu devo me importar? Realmente é um bom questionamento.

As pessoas são hipócritas. Todos nós somos hipócritas. Dizemos coisas que não condiz com nossa prática. E ainda nos achamos certos por isso. E eu estou me tornando fria e apática. Cada dia que passa estou me tornando mais fria e apática. Não que alguém se importe, mas eu me importo. Eu não quero me tornar uma dessas pessoas sem paixão pela vida que fazem tudo mecânico apenas porque a vida é isso. Talvez eu deva reencontrar paixões, porque sinceramente, dentro de mim, tudo anda uma bosta.

Essa vida quase adulta é uma bosta. E se o início já é assim, imagine o que está por vir? Não quero nem pensar. É claro que não quero ser aquele tipo de pessoa que se prende ao passado e a eterna falsa ideia de juventude. Nada disso. Eu quero crescer, eu quero caminhar e desenvolver. Mas eu não quero me perder. Eu não quero perder minha essência. Eu não quero deixar de acreditar nas pessoas, na vida, no amor, nas coisas boas. Mas sinto que estou me perdendo. Onde estão meus sentimentos? Para onde estão indo? Minha cabeça é tão confusa que as vezes nem aguento pensar. Eu não quero reclamar da vida, eu quero abraça-la porque sei que ela ainda pode me oferecer coisas incríveis as quais eu nem imagino como são. Mas, sinceramente, parte de mim se sente cansada. Cansada de tudo isso.

Me pergunto como vou enfrentar coisas mais sérias e graves se as mínimas coisas já me consomem de maneira frequente. Me pergunto se tudo é uma questão de hábito ou se vou acabar surtando a qualquer momento e desistindo de tudo, desistindo de mim, desistindo da vida. Eu sei que viver tem seus altos e baixos, eu tenho essa consciência. Não reclamo disso, é só um desabafo mesmo. É só um turbilhão de sentimentos inconstantes a respeito dessa vida quase adulta.

Talvez eu devesse me importar menos, focar mais em mim e focar mais nas coisas boas e produtivas que posso fazer pela minha vida e pelas vidas ao meu redor. Parte de mim sente que sempre serei essa pessoa com um turbilhão de sentimentos, sensações e pensamentos. No fundo talvez eu saiba que isso nunca vai mudar e eu só preciso me acostumar comigo mesmo. Eu só preciso esquecer as energias negativas do mundo exterior e trabalhar o meu melhor. Acho que um pouco de egoísmo não faz mal a ninguém. Talvez eu só precise disso. Talvez eu só precise aceitar que as pessoas são quem elas são.

A.L.

Um amor depois do outro

Estou lendo o livro “Um amor depois do outro” de Ivan Martins, onde ele fala das relações amorosas de forma bastante poética. Digo de forma poética porque ele trata do amor de maneira pacífica, até quando se trata das tumultuosas relações inacabadas que rondam as nossas vidas. Ivan traz casos de amores que não acabam, nos perseguem e dos quais possuímos uma enorme dificuldade de nos desapegarmos.

Recentemente, tenho vivido algumas situações desse tipo de amor. O amor do qual não conseguimos nos desfazer. Confesso que não sou a melhor pessoa para dar conselhos de como superar esse tipo de amor, de se livrar tão rapidamente de um sentimento que por muito tempo lhe fez bem. Acho que isso é porque nós, seres humanos, somos extremamente carentes e relutamos tanto em aceitar quando algo é necessário ir.

Se me perguntares a fórmula para lidar com esse tipo de amor, dentro da minha pequena experiência em amar, diria apenas duas coisas: o tempo e um amor depois do outro.

Xx,

Amanda Lobo.

O capitalismo será derrotado pela Terra

Leonardo Boff

Há um fato incontestável e desolador: o capitalismo como modo de produção e sua ideologia política, o neoliberalismo, se sedimentaram globalmente de forma tão consistente que parece tornar qualquer alternativa real inviável. De fato, ele ocupou todos os espaços e alinhou praticamente todos os países a seus interesses globais. Depois que a sociedade passou a ser de mercado e tudo virou oportunidade de ganho, até as coisas mais sagradas como órgãos humanos, água e a capacidade de polinização das flores, os chefes de Estados, em sua grande parte, são forçados a gerir a macroeconomia globalmente integrada e menos atender ao bem comum de seu povo.

O socialismo democrático em sua versão avançada de eco-socialismo representa uma opção teórica importante, mas com pouca base social mundial de implementação. A tese de Rosa Luxemburgo em seu livro Reforma ou Revolução de que “a teoria do colapso capitalista é o cerne do…

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Indicação de cantora: Zella Day

Assistindo The Vampire Diaries na tv (apenas passando o tempo pois a série pra mim já atingiu seu colapso. ok, não vou exagerar. mas já deu.) e vendo uma cena ardente entre stefan e caroline (spoiler kkk) me deparo com essa música, Hypnotic, e imediatamente fui procurar quem cantava e descobri que era a linda americana Zella Day. Zella canta o estilo Indie Pop, que honestamente, nem sabia que era um estilo definido, mas que é perceptível quando você escuta essa melodia de fato hipnotizante. E não é só nessa música. Fui pesquisar outras músicas da cantora e acabei baixando seu novo e único albúm lançado esse ano ‘Kicker‘ e as melodias seguem essa mesma sintonia. Me apaixonei logo de cara. A música ‘Sweet Ophelia’ é tão viciante que não consigo parar de escutar.

Fiquei admirada com a cantora que é tão nova no cenário, aparentemente não muito conhecida, e com uma cartela que considero linda e alucinante. As músicas de Zella me deixaram em um estado alternativo de espírito, se é que esse estado sequer existe ou pode ser explicado.

Super recomendo!

Xx,

Amanda Lobo.

Foco, experiências e neuroses

Às vezes na vida por um momento perdemos o foco. Fugimos de nós mesmos, devido a alguma distração ou situação. Mas logo que nos damos conta do ocorrido, tentamos nos resgatar de nós mesmos. Que resgate é esse que acontece uma vez ou outra? Seria o resgate das distrações mundanas que insistem em alterar-nos e estado pleno de espírito da alma. Estado esse que se difunde e se confunde com o nosso pensar, agir e falar.

Muitas vezes, ao ouvir pessoas contando suas histórias e experiências de vida, me pergunto o que as levou a se tornarem quem são. Do mesmo modo que tento sempre analisar quais fatos foram essenciais para desconstruir meu antigo eu e construir meu novo ser, me pergunto o que leva as pessoas a serem quem são. É interessante de se notar características extremamente peculiares do ser humano. Defeitos, angústias, e como Freud analisa as neuroses que se tornaram neuroses devido a alguma inibição pessoal entre o que você é e o que você gostaria de ser. E me pergunto todo o tempo: porque as pessoas não são o que gostariam de ser? Tirando o fato de questões como que você não pode mudar, boa parte das neuroses mundanas podem ou deveriam ser evitadas. Mas não são. Não entendo muito bem por que. Acho que somos acomodados demais para quebrar as correntes em que nós próprios nos prendemos.

Mas uma vez ou outra conseguimos. Uma vez ou outra conseguimos nos libertar. Nem que seja momentaneamente. E depois voltamos às neuroses novamente, voltamos a perder o foco mais uma vez. Será esse algum tipo de ciclo vital para a sobrevivência humana ou será só eu tão inconstante que encontrei um equilíbrio no meu próprio desequilíbrio? Vai saber.

Xx,

Amanda Lobo.

Hoje sofro por falta de amor

Algumas pessoas sofrem de excesso de amor. Sofrem por amor. Eu sofro por falta de amor. Mas você deve se perguntar: o que é sofrer por falta de amor? Acredito que é tão ruim quanto sofrer por amor. Ok, menos doloroso, é verdade. Mas tão chato quanto.

Sofrer por falta de amor é quando seu coração está vazio, pois não existe sentimento para preenchê-lo. É quando você passa por aquela fase que por mais que você tente, por mais que você se permita, o amor não alcança você. Acho que é porque assim como eu, o amor é rebelde. Não vem para os que o procuram e sim para os que não esperam ou não o querem.

Mas sofrer por falta de amor é tão desesperador que parece que não há esperanças para o seu coração. Simplesmente você não consegue sentir nada. Sabe qual é a sensação de não sentir nada? Horrível. É como se depois da tempestade de tristeza, se instalasse em seu coração um vazio tão grande que você não faz ideia do que fazer com ele. Diga-me o que fazer com ele porque eu não sei.

E é então que começa aquela busca desesperadora para sentir algo outra vez. Busca essa que acaba por se tornar frustrante, pois nunca gera as consequências que esperamos ou queremos. Então pra quê buscar? Eu tenho consciência de que não quero sofrer, mas também não quero sentir como se houvesse um buraco dentro de mim. Não é desse sentimento que eu preciso. Eu preciso que meu coração sinta reciprocidade. Apenas isso. Nada mais.

Tento buscar os mínimos resquícios de sentimentos em meu coração, mas nada encontro. Até quando essa maré durará? Espero que passe logo, pois não é nessa direção que eu quero navegar.

Xx,

Amanda Lobo.

Amor que cresce

Poetriz

Direi ao senhor o que nem tanto é sabido: sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na ideia, querendo e ajudando; mas, quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois.

– Guimarães Rosa in “Grande Sertão: Veredas”

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